
Quarta-feira, Dezembro 28, 2011
A Pescadora de Luas
Eternizam-se na memória
(Sonia Cancine)
- no embalo do vento -
Absorvidas pelo nó sorvido
- com gosto de maçã -
Emoção em gotas cítricas e hortelã.
Das pupilas e das contas d’água
- do verde mar de seus olhos -
Da bruma espuma, nódoas de solidão
O vinho escorre nas veias, rompendo o chão.
Arranco calhetas e cascalhos
Do ferrolho de meu peito
- sou pescadora de Mim -
Húmus mudos
Fragmentos que perdi...
A Luz espalha o seu aroma
Na Terra que fenece
Irrompe em tempos estranhos
Onde se tinge de sangue
Precipita-se ao Sol e
Só se detém, ao amanhecer.
Vislumbro o oceano
- no marejar de meus olhos -
E ao trazer a alma azul do mar e do céu
Eu chorava ao voltar para a Terra.
O imaginário da Lua inspira-me
- a mulher guerreira -
No fundo do lago ou de Yaci...
Qual espelho da Lua, na face refletida
O antes e o agora
- pescadora e cavalgante -
De águas e terras distantes
Neste agreste mundo aquoso
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Terça-feira, Dezembro 27, 2011
Carta II - ao Amor que terei um dia?
Já houve tempos em que eu sobejava em pensamentos imaginando o homem que me seria pré (destinado), e que viria a conhecer um dia. Hoje, eu silencio minhas vontades de um amor, diante das decepções que tive na boca da desilusão e que me torna a vida mais rara, a dois.
(Sonia Cancine)
.
Ao olhar para o horizonte espero não encontrar o vazio, que me assola a alma. Encontrar absolutamente nada é intensamente triste e desencanta as emoções. As melhores experiências da vida nem sempre nos são possíveis, mas jamais me perdoaria por não ter tentado, porque melhor que lembrar rir, chorar, gritar e se alegrar ou entristecer com o passado, é a expectativa do que está por vir.
Mas, quando eu olhar para o horizonte e não encontrar nada, quero me lembrar do passado, porque sei que trará (de novo) perspectivas. E quando este eu desolado aqui não mais estiver, as flores irão crescer, os pássaros irão voar, e as borboletas graciosamente irão sair devagar de suas crisálidas... E as palavras que nunca lhe disse amor meu se desenharão nas nuvens; irá embalar os doces sonhos de uma mulher cansada, envolvida pelos fios da teia da vida, quieta, num estágio de hibernação, que distraidamente não percebe pousar nela, o amor.
O rompimento das crisálidas é difícil e dolorido, é necessário romper com as barreiras do passado e ceder lugar a força interior para que rasgue as teias que me prendem, para que minhas asas sejam livres para voar e desfrutar da beleza a minha volta. Busco te alcançar, amor meu, e não via tão claras as minhas prisões internas. Conceitos enraizados não me permitiam desfrutar por inteiro a liberdade que conquistei.
Ainda me sinto presa a arquétipos que já não são os meus, mas que ainda compõem meu conceito do que é certo e do que é errado. Romper com padrões estabelecidos, criar asas e parar de se rastejar passa por diferentes estágios de casulos. E o medo me deixa inerte, preferindo a precariedade do momento a experimentar novas vias, até me encontrar novamente. Só sei que antes de ganhar asas terei de passar por um longo e escuro período de espera angustiado, para que possa romper as barreiras que ainda resistem. E uma vez mais preciso retornar a meu abrigo, o mar. Içar velas de novo, sair dessa crisálida e deixar o vento me levar, como o orvalho emergindo da aurora.
Do que já vi e vivi imagens saltitam em minha mente as mais vivas emoções, são tantas, que ao me vir as lágrimas aos olhos, a cores, tudo em mim se conjuga ao contemplar a esperança de um verde nostálgico afagando-me a tempo.. Um momento de pura sinestesia, metamorfoseado no infindo e sutil matiz que o mistério dos tons é capaz de me proporcionar. Calo-me na alma nesse instante, um tremor de asas e o sopro do vento acaricia a inquietude que me assola.
Um lamento embarga minha voz emocionada, amor meu, e a desdita de uma causa curiosa ao peso da pedra cinzenta, busco alçar o voo que liberta, clamando meu cavalo alado e pincelando (mais uma vez) os sonhos de versos e nuança baça, sem o bilhete de volta.
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Domingo, Dezembro 04, 2011
Vida Abrasiva
(Sonia Cancine)
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Poeira dos próprios pés
Replena de emoções
Defere golpes mortais e
Vertem entranhas
Nos momentos decisivos.
Eu já chorei demais
E hoje carrego à fiúza
- de que nada sei -
Efêmera eu sou...
Cuja voz se ouve nos ventos
Cujo sopro se sente nas letras
Sou pequena poeta e
Meus olhos contemplam
A cambiante prata da Lua.
E nas ruas [contemplam] meus passos
Cada folha
Cada pedra
Jogadas no chão.
Assim... A minha vida se faz
- no ocaso -
Quão o vermelho do Sol
Sol poente.
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Sábado, Novembro 12, 2011
As quinas da vida
Sou devota do lábaro das emoções, tantas a cores, que já me vieram às lágrimas e tudo em mim se conjuga ao contemplar o nuance verde esperança nos muros hostilizados da vida, no amarelo nostálgico acariciando o tempo revolto de meus dias... Raros momentos são os de pura sinestesia, e se não me falha [ainda] a memória, já falei sobre o insistente marulhar do índico metamorfoseado na sutil matiz de verdes de que o mistério das sensações é capaz de compor.
(Sonia Cancine)
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Não ouso desacreditar nos sonhos, se saudada pelos vivos tons que irradiam beleza e graça, mesmo que tenham sido espelhados das paredes e lugares onde não pulsa a alegria e que ostentam um ar fascista. O monte sagrado dos aborígenes de onde me imagino ter surgido, dardejado pelo Sol, vem suplicando por pinceladas faiscantes de paz.
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Quinta-feira, Outubro 20, 2011
Andarilho de rotina fátua...
Ao andarilho feraz somam-se alusões sobre o aqui agora que somente importa quando a porta, aberta está para este mundo estonteantemente misterioso e belo. Vislumbrá-lo em todos os sentidos suaviza o martírio e a sensação claustrofóbica de natureza bipolar.
(Sonia Cancine)
.
Anseios confusos nascem das cinzas e da acepção obscura da alma no cálice da impotência, e me oclusa a fala num choro contido. Ao pulsar da alma abatida o desejo aprisionado em mim se debate, e como um anjo sem asas num tímido gesto - busco o som que venha me trazer luz e flores ao interior. Ao longe o lobo uiva a dor que sente e me ecoam sonhos de paz, esvaziando a amargura do peito. O toque suave da luz que se inicia me acaricia e me conduz ao silêncio, invocando imagens num processo onírico, confessional, na arte de criar a tela encantada das palavras... Palavras estas que fundem diferentes imagens aonde as impressões vão além dos códigos, angariando uma prosa inescrupulosa pelos caminhos da poesia...
Sei que a vida nos proporciona períodos difíceis que poderiam ser tidos como experiências negativas, mas o tempo nos revela o que fazer para que esses fatos se transformem em oportunidades, e depende muito da forma como os canalizamos. O que faz toda a diferença é a aceitação, porque de certa forma está tudo ao nosso alcance - o que precisamos para dar mais um passo, para que dessas situações da vida, façamos chaves preciosas para a nossa liberdade e crescimento. E mais do que nunca é indispensável a humildade diante dos caminhos que nos surgem, inesperadamente, para que possamos apreender o que está além do óbvio e da sensação de morte no ar.
É que essa coisa da adstringência e amargor é a consequência direta da interação no cotidiano da vida, vem em grande quantidade junto a outros componentes que dão cheiro e sabor ferino. Especificamente, resulta-se da junção dos secos tintos.
Caso para se dizer: - “depois disto nunca mais bebo vinho!”
Mas esqueço os palavrões e fixo apenas a palavra “tanino” como sinônimo de sensações de amargor e adstringência. O amargor é causado pela inteiração dos de tamanho médio com as papilas gustativas e a adstringência é causada pela reação dos “egos” de maior tamanho com as glico proteínas da saliva, precipitando-as e formando uma espécie de capa rugosa que forra a língua e mucosos bocais.
Porém, um alerta: Quando sentir a boca “encortiçada” depois de beber um gole de tinto já sabe de quem é a culpa. Bem, é essencial para se estar vivo e pode ser incitado por episódios bons ou ruins e verão que, embora antagônicos, ambos são estressantes.
Contudo, se os resultados do estresse comprometem a saúde, a qualidade de vida e os momentos felizes, é fundamental parar, para se encontrar uma saída. A falta de intervalo representa o fator mais imediato de estresse. E para acabar com esse “banzé” contra o oposto, é preciso tentar delinear bem o poema, sem acumulo de enjôos e sem forçar a barra.
Exame dos órgãos internos sem influência psíquica. Entidade – “entintas” – a essência do ser.
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Terça-feira, Agosto 30, 2011
Descompassando Passos
(Sonia Cancine)
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Eu queria uma ode qualquer
que viesse avivar letras adágio
- buquê incubo
mesmo que mal escrito -
Do pescoço nu, uma gota solta
[suficiente] para embebedar-te
e me transbordar.
E surgiu do nada?
Talvez sim talvez não.
Diz-me que vem
me descompassar
a beira do mar.
Num vaivém
desmancha-me
e me leva e traz
gingando-me
como flor ao vento.
Ricocheteando
meu Ser
fingindo ser
o canto que encarna
fluxo e refluxo das marés
de quem festeja o Sol
festeja a Lua
e me olha na rua
ao me tocar e ao deixar-me assim
entre os retrós de linhas torcidas
alinhavadas na luta desatinada.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Segunda-feira, Agosto 29, 2011
Metamorphose…
Na soleira da paixão, de súbito insurge a razão. Me salva. Me (dês) nutre. Me (dês) encanta. Ah! Não mais sei... Nem imagino quando algo maior (do que sinto agora) pedirá passagem para surgir em verbo e ação. E se acontecer, voará liberta (a emoção), assim espero. Vertigem a deriva compõe anseios a cores em mim, ao contemplar, o verde esperança que se formou diante desse muro (de) mente, e o alaranjado nostálgico que afaga o tempo quedo de campos girassóis. Um admirável momento de pura sinestesia. O remoto e insistente marulhar, revolvia-se em mim transmutado nas sutis matizes, os seus mais esplêndidos sons. Do tom avermelhado, calou-me na alma um tremor de asas, e o assobio do vento afagando os recônditos dos pensamentos meus.
(Sonia Cancine)
Assim, ocorreu-me um versasse – um desfiar de linhas e fatos tecidos que me aferem um pequeno passo, para quem tanto já ousou se depreender das amarras do passado; lamento-me emocionada, a desdita e insistente pedra cinzenta, intrusa em meu caminho. Alçai-me ao voo que liberta, sentindo perfume em pleno ar. Ou para meu êxtase, não seria Camões de cócoras nas rochas, grafando-as de versos e cores baças? Ou ainda...
Não seria Apolo atirando setas, onde o Sol dardeja os seus raios alaranjados?
Não seria ainda, o Sol caiando fontes, na sede de inspiração?
O Sol, o mais belo, o vencedor das forças nocivas.
Vislumbro instantes de pura sinestesia...
Onde
Tudo são meras impressões
até mesmo as suposições de amor.
Sou feita, Só, impressões
- de emoções táteis
Visuais e auditivas –
Sentidas.
Oh, Tão azul e tão distante
- pedra bruta
nebulosa escura -
Atordoa-me os sentidos.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Sexta-feira, Agosto 26, 2011
O Nevoeiro
Solitude
(Sonia Cancine)
Nas perdas materiais
eu me vi abatida
sem murmurinhos musicais
e sem a fragrância
da fina flor.
Andei cabisbaixa
sem saber para onde ir
e aonde pousar
meus pensamentos
- inquietos -
O dia nascente
possuía tez incolor
que me tornava triste
e aproximava-me
das sombras obscuras.
Mas eu trago em mim
o Sol veemente
- o poder de renascer das cinzas -
e creio nas forças virtuosas.
Repleta de pena prateada
luz de notas enuncia
- em contra posição –
a legítima essência
e nos primeiros raios
[da Lua e do Sol]
eu meu cerco.
Nua
eu me deparo
defronte a vida.
Meu semblante
[ainda jovem]
mantém no olhar
o peso da vida.
Mas Fênix que sou
aconchego-me
no ninho interior.
Queimo
– uma vez mais –
o que de ruim se encontra
na memória e a minha volta
- até restarem apenas cinzas -
Assim, eu me deito nas nuvens da placidez.
(Sonia Cancine)
De
cala (frios) na espinha
consumo-me em dores
- prematuras -
ungida compelida
constrangida.
Na carne viva
dos traidores, anuncio virtudes
- que me impedirão resvalar
no abismo da revolta -
Aviva-te
oh! Alma minha
não desanimas nos horrores
- escárnio dos malfeitores -
Supera
a dor na Solitude
contrapõe falsos afetos
na plenitude de ações.
Adorna
com lírios brancos
vestes vermelhas suas
- cor de sangue –
que acentuam dores humanas e
acrescem perfume ao nada que a gerou
às partículas de poeira e às sobras do vazio.
E eu não mais queria um poema
Eu queria a (penas) falar...
Falar dos idos cacos sentidos
- e não mais não mais –
Ter importância a falha de amar, humana.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Sábado, Agosto 20, 2011
Tintas & telas
(Sonia Cancine)
Tintas & telas
- versus –
Telas sem cores e janelas
Descortinam o olhar inefável
Entre odores sabores e mazelas.
Já me proferia de sina em riste
Uma parcela de atração
Que atiça os sentidos
- furiosos –
Neste mundo sem dono.
Nem pincelar se pode
Se insidiada pela força sem Luz.
O que dirá sem os tons vivos que edificam?
O espírito morre. Lenta (mente)
Nas mãos demão destruidora
E pelas linhas suaves do acaso
- fúria e velocidade
Rasgam a biografia –
Sem indulgência e sem pedir licença.
De sorriso pardo e tosco, quase morro de desgosto
A me ver embaraçada nas teias mal traçadas.
Vejo-me a contragosto a prosseguir em linha reta
- passo a passo –
A sentir o peso de dizer não
A quem tem a mão no poder
Não me deixo abater
Mas tenho tido quedas inevitáveis.
Turbada, desfalece a menina, pelas ruas da voracidade.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

O Vôo Noturno da Borboleta...
Era quase manhã e o Sol ainda se escondia por detrás das nuvens escuras. Mergulhei nas vielas mais profundas de meus pensamentos e nos condutos dos sentimentos inundei o vasto interior de minha morada com fúcsia, angústia e golpes de piedade. Esgotei todo o alento e sentidos que encontrei. O pulsar era tão intenso que gritei por inúmeras vezes até esvair-me na última gota de esperança. Tão imensurável é o sentir deste momento, que se pensa não mais existir a fagulha que nos aquece a veia da vida. Momento este, em que da minha janela olho as ruas escuras e vazias e as janelas adormecidas, o céu sem Lua e as árvores entorpecidas, sem a doce e suave brisa que rasga o silencio e corre em busca do dia.
(Sonia Cancine)
E nos oceanos de meus medos seres medonhos me assustavam insensíveis, aos gerânios que se desprendiam de minha janela... Soprava tão somente, um vento gelado. E quem se importa se minha noite é vazia?
Noites e dias se sucediam, indolentes, a flor que caia em frente a minha janela... Só eu sei só eu sei que ao amanhecer, as borboletas azuis (fadas do amor) recolhem as flores caídas ao chão. E a margem de meus pensamentos, lírios brancos exalam seu doce perfume, indiferentes a mim, que cativa da minha janela, vê tão pouco deste louco mundo, onde o passado e futuro num mesmo instante se apropriam do agora que já passou... Quando amanhecer, nada será igual. Não mais serei a mesma. As flores as águas do rio e do mar, a Lua, as estrelas, e até mesmo o Sol, não mais serão os mesmos. A vida não se repete, ela simplesmente passa impassível, num finito abrir e fechar de portas e janelas, diante de meus olhos...
O que devo, então, fazer? Penetrar no labirinto de sentimentos e cruzar todas as portas fechadas, escancarando janelas, mesmo que incidisse em matar a sensação de morte?
Eu mal podia conter a ansiedade pelos raios de Sol, que anunciariam a extasiante revelação que meu pulmão deseja receber - o novo ar puro que exala júbilo. Fiquei horas olhando o teto, meditando sobre o que havia feito de minha vida, fazendo um esforço enorme para tirar de minha cabeça as falhas cometidas, e restou-me apenas (dês) gostar do que senti. Comecei a questionar se seria possível mudar. E se falasse o que me cabe no coração? Mas então o que fazer se me calo, emudeço e congelo o tempo? As horas se arrastam, o dia se vai. É hora de fechar as portas e janelas (de novo). A noite traz o frio e eu choro por dentro. Mais um dia em vão.
Choro compulsivamente. E olhando (mais uma vez) para o teto, percebo que é hora de mudar, é hora de abrir as portas cinza do quarto e do peito. Hoje conjugo a indiferença, uma forma de aliviar a dor. Tento cicatrizar as dores e me fortalecer, para que volte a abrir as portas e janelas para o Sol entrar. Nem que seja de mansinho... Pois, toda metamorfose dói, em demasia.
Nasce mais um novo dia e a conta-gotas vou abrindo janelas e portas... Tudo vai auferindo grandeza, calor e sentido. O que me cabe, é que é preciso saber abrir e fechar portas, janelas e venezianas... Espiar lá fora e sentir vontade de aquecer-me ao Sol.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Sábado, Julho 09, 2011
Até que a morte nos separe...
(Sonia Cancine)
.
Um dia ainda jovens, um pacto, se fez:
- até que a morte nos separe -
O meu olhar...
Esquadrinhava luz perfeita
- de nuance
Precisa -
O teu olhar...
Corroborava tênue divisão
Entre o mar, o céu e o inferno.
E na tela real pincelavam-se sonhos
Cruel veracidade de tons escuros
- que apesar dos pesares -
Nutriam beleza num íntimo
Machucado
De Sol escuro e desértico, onde jazia solitário.
Gotinhas deslizavam pela face
- quais pérolas de um colar -
E sob nuance turquesa, estrelas
Caiavam noites de solidão...
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Quarta-feira, Junho 15, 2011
La lunga strada della vita
La lunga strada della vita
(Sonia Cancine)
.
Uma lágrima
inefável e indolor
na pele cor de oliva
de olhos cintilantes.
Noite alva
de espírito impenetrável
num olhar indelével
forte e claro.
Um olhar
escrutina adágio secreto
de trama triste-vida
lume de luz e carne.
Um olhar
(intermitente)
tece um grito de alerta:
- a morte
nos cerca por toda parte -
Raios de Sol
invocam olhos débeis
(noite e dia)
à doçura dessa lira
na imensidade pura.
Dos olhos meus
o alento
que em vão se afina e
No azul infindo eclodem forças estranhas...
tradução: by Dani Maiolo
(Sonia Cancino)
.
Una lacrima
ineffabile e indolore
in pelle olivastra
gli occhi scintillanti.
Notte Bianca
spirito di impenetrabile
uno sguardo indelebile
forte e chiaro.
Uno sguardo
scruta adagio segreto
triste storia di vita
calore e luce a base di carne.
Uno sguardo
(intermittente)
tesse un grido di allarme:
- Morte
ovunque intorno a noi -
Raggio di sole
invocare occhi deboli
(giorno e notte)
la dolcezza di quella lira
l'immensità puro.
I miei occhi
il respiro
invano che si assottiglia e
Nelle forze infinito portellone blu strano ...
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Quarta-feira, Junho 08, 2011
Candelabro...
(Sonia Cancine)
.
Ouço...
Em dias que escorrem pugna
“una música brutal”
ante (dor insuportável) de ansiar morrer
nas caixinhas delicadas uma duvida:
Homessa...
Ouço músicas e aproveito dádivas do Sol
na vivenda ilhéu, meu “beat” estrangeiro
de devaneios aspirantes camembert.
Outrora, aqui estrangeira
já vi o que inda não vivi
e senti o que jamais verei
de biografia por vezes euforia
difícil é viver e mais ainda saber.
Que nem candelabro de ouro puro
careço de luz e pétalas de flores
de hastes e de botões
na sombra a descansar...
Numa haste quero um botão e uma flor
obra batida que se fará lâmpadas
Conforme o que me foi apontado no Monte.
Assim, quando me olho sem velas aquecendo este ínfimo...
Sinto medo das verdades, das intuições e do escuro.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Domingo, Junho 05, 2011
Jeito de Mato
Envolto em delicados véus tons lilases, um silêncio descortinou-se ao meu olhar, e pensamentos meus deslizaram no infindo céu que se abria junto ao clamor dos abandonados e desesperados... Voei descalça, sem norte, desenhando em minha mente lembranças que me fizeram sorrir e outras, que me fizeram chorar.
(Sonia Cancine)
.
Ao entardecer recortado no céu entre azuis índigos, alaranjados, lilases e vermelhos, o tempo se fez arco-íris ao ouvir os sussurros espargidos pelo vento. E guiada tão somente pelas batidas do coração, toquei o crepúsculo. Então, me deitei na campina onde o Sol se põe e no regalo da terra (com cheiro do mato) numa sensação melancólica me vieram fortemente à pele:
Gotas perfumadas de rocio que marcam história...
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Domingo, Maio 22, 2011
Veleidades do Tempo
(Sonia Cancine)
À
luz nigérrima rasga-me as veias rubras
e num duelo de loucura deixa-me límpida
ou, torna-me noite para sempre escura
ante as nuances do arco-íris.
Ao abrir
o manto na dourada Aurora
como (quem pouco mente) poeta fingidor
é a nudez sedenta de vontades arfantes:
o inflexível gozo de ímpetos passageiros.
Sou libélula
grácil, aleivosia subjugada
cingindo labuta vã toda manhã:
na maestria, da arte fenecida.
Teimo campear
em terras distantes:
nos rios, bosques, florestas e campos.
na flora dos jardins e da campina
abrindo as asas Ástreas d’ouro e
Na leveza do vento
voo nas profundezas dos oceanos
e do mundo subterrâneo.
Nas fugas incertas
na bruma do lusco-fusco
o tempo urge suas veleidades errantes
nessa estirpe finita dos deuses.
Nas quinas
dos meus dissabores
(quimera imperfeita da carne)
Sob
a raivosidade do moinho do vento...
E em absoluto silêncio
aparece o caos
nas primeiras sombras que se desprendem
(sem princípio, nem fim)
Vai,
ó alma cigana, pela Iris natimuda, cantar meus poemas.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Domingo, Maio 15, 2011
Decálogo da Urbe
(Sonia Cancine)
.
Resvalam nas vidraças da cidade
e nas colinas das cercanias, os raios de Sol.
Acetinam nuances nos dorsos nus e
na selva de pedra de concreto e cinzas
pousa o beija-flor, das finas flores dos jardins.
Na quimera brenha da candente puberdade
um dia adormeceste errante, Alma minha
abria-se em pétalas célicas imaginárias e
em delicada obscuridade
(no burburinho dos sonhos)
a paixão e a dor, indômitas, corriam.
Assim a vida urbana embelecida
bebeu-me, a mocidade e a fé.
Ali aqui lá e acolá a sombra da luz cruel
os ipês, a dourada cascata de campos trigais
e a nata do vale, adormeciam ao vento:
dançavam aos sons do movimento urbano
e da sinfonia do canto do bem-te-vi.
E eu nativa? Fugia do vento incerto...
Ansiava a erva-almiscareira
o perfume o simples e o belo
os arvoredos dos bosques que ao abrir os ramos
tecem fios no afã do dia a dia nebuloso.
E assim vencendo a insônia - enleio como Homero.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Sexta-feira, Maio 13, 2011
O Silenciar dos Anjos
(Sonia Regina Cancine)
.
Na calada fria da noite escura
Ao ouvir o sussurrar dos Anjos
Emudecem-me os sentidos
Um olhar de olhos infindos me vigia...
Inquieta, reverencio o tempo
Onde o aqui agora nem perto nem distante
Canta junto ao meu coração e
Entrego-me na finitude de tudo o que sou.
Em meio a nuances e tormentos
Teço traçados desalinhados em cunho e
Perco-me neste labirinto de metáforas.
Um Anjo tetro num recôndito invisível
Pelas vias/mente, algoz - a morte me anuncia.
Peregrino pela campina verde e me deito no sereno.
Sonho (de novo) ao ouvir o gorjeio das gaivotas
O murmurinho das águas do mar e do vento.
O perfume que exala das flores
Cintila na aparição do céu inexorável
E me liberta do cárcere em que vivo.
Será loucura de meus pensamentos?
Luto para fugir do mal que me assola
Montada no meu cavalo indomável
Na noite sombria à luz da Lua nua.
Meu destino, minha senda
Que transita entre o céu e o inferno
Como vidro se despedaça no chão.
Alço finalmente de asas abertas, à Luz ao final do túnel.
Vencendo o vento angario do pó alma minha e
Do efêmero isolamento - vôo como fênix em direção ao Sol.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Domingo, Abril 03, 2011
A voz do vento...
(Sonia Regina Cancine)
Uma voz firme nos ouvidos
Seduzia em palavras ardentes
Onde a voz do vento anunciava
Que a noite tinha chegado.
Estava muito frio e eu?
Não queria desafiar o vento.
Eu só peço a Ti, meu Deus.
Que não me deixe assim
Esquecida tão facilmente.
Então, olhei ao longo da margem do rio.
Lá estava ele tão só, e somente
A lua se banhando como deusa prateada.
Tu se deitarás, na hora do crepúsculo
Em pensamentos ardentes numa relva macia.
Uma paixão interna que me foi destinada
Uma lembrança
Que trago do portal empírico.
E recebo neste rosto pálido de sorriso largo
Uma estrela do céu nublado
Imagem induzida a cheiros, nuance de prazer e dor.
No duro chão de pedra
Depois de meus pés cansados não haverá lugar
Que não revele meu semblante
- o perecer do que sou -
Perderia eu a inocência de gente?
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2011
Desertos
(Sonia Regina Cancine)
Nos desertos abismos. Mergulho.
Nas rochas fortes
(onde me faço efígie)
E nas vertentes eu recrio
Coragem.
Na cálida sombria paisagem
Fortaleço a águia minha ao vôo.
Silencio, refaço e me entrego
Ao uivo do lobo interno.
Na glória de incauto prazer
Sinfonia há na travessia portal
Que sob águas revoltas encobrem
Os vultos a minha volta e
Nas luzes translúcidas
Canto
Danço
Suavemente...
De alma em gris, elaboro vozes
E no silencio desse instante
Dimensiono tudo e nada
Num suspiro ligeiro em campos florais
Ouso pulsar nesse novo tempo
Onde poetas e poesias perderam valor.
IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]

Sábado, Fevereiro 05, 2011
De volta pra casa...
(Sonia Regina Cancine)
Enigmas ocorrem... Repentinamente!
Olhares dúbios e motivos aparentes
Fazem da gente - exultante ou desencantada
Amada ou desalmada de alma cansada.
A minha? Após o olhar terno do Mar
Respira o ar que me dá vida, de poesia
Som de ondas deslizando espumas
Esbravejam a natureza descontente.
Não consigo na calma aparente
Deixar de sentir na pele
As delicias da paz desejada e
Aquela concha que eu segurava, eu não a vejo aqui.
Cansada, mas de alma lavada
De alinho combalido pelas ondas
Chorei onde a cortina em desalinho escondia
A alma trancada, onde o tempo pára.
Após olhar o Mar...
Danço a dança das sereias
Na arte impudica dos deuses e
Deito em cima dos penhascos
(os temores ocultos)
Na brisa fresca da maresia em dias de escuridão
Transvio para além da ebriedade azul
Pergunto - o que é isso que soa ao longe?
É o vento que embala emoções e
De volta pra casa, após olhar o Mar...
Volto
A sorrir e o espírito curumim ressurge, mais uma vez.
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