Espero contar com você nesta caminhada
Que juntos possamos ver através das palavras
Ver além das horas e épocas
Expressar as maravilhas de estar presente
Nas apaixonantes luzes cambiantes
E encontrar a Paz!

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Quarta-feira, Dezembro 28, 2011

A Pescadora de Luas
(Sonia Cancine)



Eternizam-se na memória
- no embalo do vento -
Absorvidas pelo nó sorvido
- com gosto de maçã -
Emoção em gotas cítricas e hortelã.

Das pupilas e das contas d’água
- do verde mar de seus olhos -
Da bruma espuma, nódoas de solidão
O vinho escorre nas veias, rompendo o chão.

Arranco calhetas e cascalhos
Do ferrolho de meu peito
- sou pescadora de Mim -
Húmus mudos
Fragmentos que perdi...

A Luz espalha o seu aroma
Na Terra que fenece
Irrompe em tempos estranhos
Onde se tinge de sangue
Precipita-se ao Sol e
Só se detém, ao amanhecer.

Vislumbro o oceano
- no marejar de meus olhos -
E ao trazer a alma azul do mar e do céu
Eu chorava ao voltar para a Terra.

O imaginário da Lua inspira-me
- a mulher guerreira -
No fundo do lago ou de Yaci...
Qual espelho da Lua, na face refletida

O antes e o agora
- pescadora e cavalgante -
De águas e terras distantes
Neste agreste mundo aquoso

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Terça-feira, Dezembro 27, 2011

Carta II - ao Amor que terei um dia?
(Sonia Cancine)
.


Já houve tempos em que eu sobejava em pensamentos imaginando o homem que me seria pré (destinado), e que viria a conhecer um dia. Hoje, eu silencio minhas vontades de um amor, diante das decepções que tive na boca da desilusão e que me torna a vida mais rara, a dois.

Ao olhar para o horizonte espero não encontrar o vazio, que me assola a alma. Encontrar absolutamente nada é intensamente triste e desencanta as emoções. As melhores experiências da vida nem sempre nos são possíveis, mas jamais me perdoaria por não ter tentado, porque melhor que lembrar rir, chorar, gritar e se alegrar ou entristecer com o passado, é a expectativa do que está por vir.

Mas, quando eu olhar para o horizonte e não encontrar nada, quero me lembrar do passado, porque sei que trará (de novo) perspectivas. E quando este eu desolado aqui não mais estiver, as flores irão crescer, os pássaros irão voar, e as borboletas graciosamente irão sair devagar de suas crisálidas... E as palavras que nunca lhe disse amor meu se desenharão nas nuvens; irá embalar os doces sonhos de uma mulher cansada, envolvida pelos fios da teia da vida, quieta, num estágio de hibernação, que distraidamente não percebe pousar nela, o amor.

O rompimento das crisálidas é difícil e dolorido, é necessário romper com as barreiras do passado e ceder lugar a força interior para que rasgue as teias que me prendem, para que minhas asas sejam livres para voar e desfrutar da beleza a minha volta. Busco te alcançar, amor meu, e não via tão claras as minhas prisões internas. Conceitos enraizados não me permitiam desfrutar por inteiro a liberdade que conquistei.

Ainda me sinto presa a arquétipos que já não são os meus, mas que ainda compõem meu conceito do que é certo e do que é errado. Romper com padrões estabelecidos, criar asas e parar de se rastejar passa por diferentes estágios de casulos. E o medo me deixa inerte, preferindo a precariedade do momento a experimentar novas vias, até me encontrar novamente. Só sei que antes de ganhar asas terei de passar por um longo e escuro período de espera angustiado, para que possa romper as barreiras que ainda resistem. E uma vez mais preciso retornar a meu abrigo, o mar. Içar velas de novo, sair dessa crisálida e deixar o vento me levar, como o orvalho emergindo da aurora.

Do que já vi e vivi imagens saltitam em minha mente as mais vivas emoções, são tantas, que ao me vir as lágrimas aos olhos, a cores, tudo em mim se conjuga ao contemplar a esperança de um verde nostálgico afagando-me a tempo.. Um momento de pura sinestesia, metamorfoseado no infindo e sutil matiz que o mistério dos tons é capaz de me proporcionar. Calo-me na alma nesse instante, um tremor de asas e o sopro do vento acaricia a inquietude que me assola.

Um lamento embarga minha voz emocionada, amor meu, e a desdita de uma causa curiosa ao peso da pedra cinzenta, busco alçar o voo que liberta, clamando meu cavalo alado e pincelando (mais uma vez) os sonhos de versos e nuança baça, sem o bilhete de volta.

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Domingo, Dezembro 04, 2011

Vida Abrasiva
(Sonia Cancine)
.


Poeira dos próprios pés
Replena de emoções
Defere golpes mortais e
Vertem entranhas
Nos momentos decisivos.

Eu já chorei demais
E hoje carrego à fiúza
- de que nada sei -

Efêmera eu sou...
Cuja voz se ouve nos ventos
Cujo sopro se sente nas letras

Sou pequena poeta e
Meus olhos contemplam
A cambiante prata da Lua.

E nas ruas [contemplam] meus passos

Cada folha
Cada pedra
Jogadas no chão.

Assim... A minha vida se faz
- no ocaso -
Quão o vermelho do Sol
Sol poente.

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Sábado, Novembro 12, 2011

As quinas da vida
(Sonia Cancine)
.


Sou devota do lábaro das emoções, tantas a cores, que já me vieram às lágrimas e tudo em mim se conjuga ao contemplar o nuance verde esperança nos muros hostilizados da vida, no amarelo nostálgico acariciando o tempo revolto de meus dias... Raros momentos são os de pura sinestesia, e se não me falha [ainda] a memória, já falei sobre o insistente marulhar do índico metamorfoseado na sutil matiz de verdes de que o mistério das sensações é capaz de compor.

Não ouso desacreditar nos sonhos, se saudada pelos vivos tons que irradiam beleza e graça, mesmo que tenham sido espelhados das paredes e lugares onde não pulsa a alegria e que ostentam um ar fascista. O monte sagrado dos aborígenes de onde me imagino ter surgido, dardejado pelo Sol, vem suplicando por pinceladas faiscantes de paz.

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Quinta-feira, Outubro 20, 2011

Andarilho de rotina fátua...
(Sonia Cancine)
.


Ao andarilho feraz somam-se alusões sobre o aqui agora que somente importa quando a porta, aberta está para este mundo estonteantemente misterioso e belo. Vislumbrá-lo em todos os sentidos suaviza o martírio e a sensação claustrofóbica de natureza bipolar.

Anseios confusos nascem das cinzas e da acepção obscura da alma no cálice da impotência, e me oclusa a fala num choro contido. Ao pulsar da alma abatida o desejo aprisionado em mim se debate, e como um anjo sem asas num tímido gesto - busco o som que venha me trazer luz e flores ao interior. Ao longe o lobo uiva a dor que sente e me ecoam sonhos de paz, esvaziando a amargura do peito. O toque suave da luz que se inicia me acaricia e me conduz ao silêncio, invocando imagens num processo onírico, confessional, na arte de criar a tela encantada das palavras... Palavras estas que fundem diferentes imagens aonde as impressões vão além dos códigos, angariando uma prosa inescrupulosa pelos caminhos da poesia...

Sei que a vida nos proporciona períodos difíceis que poderiam ser tidos como experiências negativas, mas o tempo nos revela o que fazer para que esses fatos se transformem em oportunidades, e depende muito da forma como os canalizamos. O que faz toda a diferença é a aceitação, porque de certa forma está tudo ao nosso alcance - o que precisamos para dar mais um passo, para que dessas situações da vida, façamos chaves preciosas para a nossa liberdade e crescimento. E mais do que nunca é indispensável a humildade diante dos caminhos que nos surgem, inesperadamente, para que possamos apreender o que está além do óbvio e da sensação de morte no ar.

É que essa coisa da adstringência e amargor é a consequência direta da interação no cotidiano da vida, vem em grande quantidade junto a outros componentes que dão cheiro e sabor ferino. Especificamente, resulta-se da junção dos secos tintos.

Caso para se dizer: - “depois disto nunca mais bebo vinho!”

Mas esqueço os palavrões e fixo apenas a palavra “tanino” como sinônimo de sensações de amargor e adstringência. O amargor é causado pela inteiração dos de tamanho médio com as papilas gustativas e a adstringência é causada pela reação dos “egos” de maior tamanho com as glico proteínas da saliva, precipitando-as e formando uma espécie de capa rugosa que forra a língua e mucosos bocais.

Porém, um alerta: Quando sentir a boca “encortiçada” depois de beber um gole de tinto já sabe de quem é a culpa. Bem, é essencial para se estar vivo e pode ser incitado por episódios bons ou ruins e verão que, embora antagônicos, ambos são estressantes.

Contudo, se os resultados do estresse comprometem a saúde, a qualidade de vida e os momentos felizes, é fundamental parar, para se encontrar uma saída. A falta de intervalo representa o fator mais imediato de estresse. E para acabar com esse “banzé” contra o oposto, é preciso tentar delinear bem o poema, sem acumulo de enjôos e sem forçar a barra.

Exame dos órgãos internos sem influência psíquica. Entidade – “entintas” – a essência do ser.

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Terça-feira, Agosto 30, 2011

Descompassando Passos
(Sonia Cancine)
.


Eu queria uma ode qualquer
que viesse avivar letras adágio
- buquê incubo
mesmo que mal escrito -

Do pescoço nu, uma gota solta
[suficiente] para embebedar-te
e me transbordar.

E surgiu do nada?

Talvez sim talvez não.

Diz-me que vem
me descompassar
a beira do mar.

Num vaivém
desmancha-me
e me leva e traz
gingando-me
como flor ao vento.

Ricocheteando
meu Ser
fingindo ser
o canto que encarna
fluxo e refluxo das marés
de quem festeja o Sol
festeja a Lua
e me olha na rua

ao me tocar e ao deixar-me assim
entre os retrós de linhas torcidas
alinhavadas na luta desatinada.

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Segunda-feira, Agosto 29, 2011

Metamorphose…
(Sonia Cancine)




Na soleira da paixão, de súbito insurge a razão. Me salva. Me (dês) nutre. Me (dês) encanta. Ah! Não mais sei... Nem imagino quando algo maior (do que sinto agora) pedirá passagem para surgir em verbo e ação. E se acontecer, voará liberta (a emoção), assim espero. Vertigem a deriva compõe anseios a cores em mim, ao contemplar, o verde esperança que se formou diante desse muro (de) mente, e o alaranjado nostálgico que afaga o tempo quedo de campos girassóis. Um admirável momento de pura sinestesia. O remoto e insistente marulhar, revolvia-se em mim transmutado nas sutis matizes, os seus mais esplêndidos sons. Do tom avermelhado, calou-me na alma um tremor de asas, e o assobio do vento afagando os recônditos dos pensamentos meus.

Assim, ocorreu-me um versasse – um desfiar de linhas e fatos tecidos que me aferem um pequeno passo, para quem tanto já ousou se depreender das amarras do passado; lamento-me emocionada, a desdita e insistente pedra cinzenta, intrusa em meu caminho. Alçai-me ao voo que liberta, sentindo perfume em pleno ar. Ou para meu êxtase, não seria Camões de cócoras nas rochas, grafando-as de versos e cores baças? Ou ainda...
Não seria Apolo atirando setas, onde o Sol dardeja os seus raios alaranjados?
Não seria ainda, o Sol caiando fontes, na sede de inspiração?
O Sol, o mais belo, o vencedor das forças nocivas.



Vislumbro instantes de pura sinestesia...

Onde

Tudo são meras impressões
até mesmo as suposições de amor.

Sou feita, Só, impressões
- de emoções táteis
Visuais e auditivas –

Sentidas.

Oh, Tão azul e tão distante
- pedra bruta
nebulosa escura -
Atordoa-me os sentidos.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Sexta-feira, Agosto 26, 2011

O Nevoeiro
(Sonia Cancine)


Nas perdas materiais
eu me vi abatida
sem murmurinhos musicais
e sem a fragrância
da fina flor.

Andei cabisbaixa
sem saber para onde ir
e aonde pousar
meus pensamentos
- inquietos -

O dia nascente
possuía tez incolor
que me tornava triste
e aproximava-me
das sombras obscuras.

Mas eu trago em mim
o Sol veemente
- o poder de renascer das cinzas -

e creio nas forças virtuosas.

Repleta de pena prateada
luz de notas enuncia
- em contra posição –
a legítima essência

e nos primeiros raios
[da Lua e do Sol]
eu meu cerco.

Nua
eu me deparo
defronte a vida.

Meu semblante
[ainda jovem]
mantém no olhar
o peso da vida.

Mas Fênix que sou
aconchego-me
no ninho interior.

Queimo
– uma vez mais –
o que de ruim se encontra
na memória e a minha volta
- até restarem apenas cinzas -

Assim, eu me deito nas nuvens da placidez.




Solitude
(Sonia Cancine)


De
cala (frios) na espinha
consumo-me em dores
- prematuras -
ungida compelida
constrangida.

Na carne viva
dos traidores, anuncio virtudes
- que me impedirão resvalar
no abismo da revolta -

Aviva-te
oh! Alma minha
não desanimas nos horrores
- escárnio dos malfeitores -

Supera
a dor na Solitude
contrapõe falsos afetos
na plenitude de ações.

Adorna
com lírios brancos
vestes vermelhas suas
- cor de sangue –
que acentuam dores humanas e
acrescem perfume ao nada que a gerou
às partículas de poeira e às sobras do vazio.

E eu não mais queria um poema
Eu queria a (penas) falar...
Falar dos idos cacos sentidos
- e não mais não mais –

Ter importância a falha de amar, humana.

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Sábado, Agosto 20, 2011

Tintas & telas
(Sonia Cancine)


Tintas & telas
- versus –
Telas sem cores e janelas
Descortinam o olhar inefável
Entre odores sabores e mazelas.

Já me proferia de sina em riste
Uma parcela de atração
Que atiça os sentidos
- furiosos –
Neste mundo sem dono.

Nem pincelar se pode
Se insidiada pela força sem Luz.

O que dirá sem os tons vivos que edificam?

O espírito morre. Lenta (mente)
Nas mãos demão destruidora

E pelas linhas suaves do acaso
- fúria e velocidade
Rasgam a biografia –

Sem indulgência e sem pedir licença.

De sorriso pardo e tosco, quase morro de desgosto
A me ver embaraçada nas teias mal traçadas.
Vejo-me a contragosto a prosseguir em linha reta
- passo a passo –

A sentir o peso de dizer não
A quem tem a mão no poder
Não me deixo abater
Mas tenho tido quedas inevitáveis.

Turbada, desfalece a menina, pelas ruas da voracidade.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



O Vôo Noturno da Borboleta...
(Sonia Cancine)

Era quase manhã e o Sol ainda se escondia por detrás das nuvens escuras. Mergulhei nas vielas mais profundas de meus pensamentos e nos condutos dos sentimentos inundei o vasto interior de minha morada com fúcsia, angústia e golpes de piedade. Esgotei todo o alento e sentidos que encontrei. O pulsar era tão intenso que gritei por inúmeras vezes até esvair-me na última gota de esperança. Tão imensurável é o sentir deste momento, que se pensa não mais existir a fagulha que nos aquece a veia da vida. Momento este, em que da minha janela olho as ruas escuras e vazias e as janelas adormecidas, o céu sem Lua e as árvores entorpecidas, sem a doce e suave brisa que rasga o silencio e corre em busca do dia.

E nos oceanos de meus medos seres medonhos me assustavam insensíveis, aos gerânios que se desprendiam de minha janela... Soprava tão somente, um vento gelado. E quem se importa se minha noite é vazia?

Noites e dias se sucediam, indolentes, a flor que caia em frente a minha janela... Só eu sei só eu sei que ao amanhecer, as borboletas azuis (fadas do amor) recolhem as flores caídas ao chão. E a margem de meus pensamentos, lírios brancos exalam seu doce perfume, indiferentes a mim, que cativa da minha janela, vê tão pouco deste louco mundo, onde o passado e futuro num mesmo instante se apropriam do agora que já passou... Quando amanhecer, nada será igual. Não mais serei a mesma. As flores as águas do rio e do mar, a Lua, as estrelas, e até mesmo o Sol, não mais serão os mesmos. A vida não se repete, ela simplesmente passa impassível, num finito abrir e fechar de portas e janelas, diante de meus olhos...

O que devo, então, fazer? Penetrar no labirinto de sentimentos e cruzar todas as portas fechadas, escancarando janelas, mesmo que incidisse em matar a sensação de morte?

Eu mal podia conter a ansiedade pelos raios de Sol, que anunciariam a extasiante revelação que meu pulmão deseja receber - o novo ar puro que exala júbilo. Fiquei horas olhando o teto, meditando sobre o que havia feito de minha vida, fazendo um esforço enorme para tirar de minha cabeça as falhas cometidas, e restou-me apenas (dês) gostar do que senti. Comecei a questionar se seria possível mudar. E se falasse o que me cabe no coração? Mas então o que fazer se me calo, emudeço e congelo o tempo? As horas se arrastam, o dia se vai. É hora de fechar as portas e janelas (de novo). A noite traz o frio e eu choro por dentro. Mais um dia em vão.

Choro compulsivamente. E olhando (mais uma vez) para o teto, percebo que é hora de mudar, é hora de abrir as portas cinza do quarto e do peito. Hoje conjugo a indiferença, uma forma de aliviar a dor. Tento cicatrizar as dores e me fortalecer, para que volte a abrir as portas e janelas para o Sol entrar. Nem que seja de mansinho... Pois, toda metamorfose dói, em demasia.

Nasce mais um novo dia e a conta-gotas vou abrindo janelas e portas... Tudo vai auferindo grandeza, calor e sentido. O que me cabe, é que é preciso saber abrir e fechar portas, janelas e venezianas... Espiar lá fora e sentir vontade de aquecer-me ao Sol.

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Sábado, Julho 09, 2011

Até que a morte nos separe...
(Sonia Cancine)

.
Um dia ainda jovens, um pacto, se fez:
- até que a morte nos separe -

O meu olhar...
Esquadrinhava luz perfeita
- de nuance
Precisa -

O teu olhar...
Corroborava tênue divisão
Entre o mar, o céu e o inferno.

E na tela real pincelavam-se sonhos
Cruel veracidade de tons escuros
- que apesar dos pesares -
Nutriam beleza num íntimo
Machucado

De Sol escuro e desértico, onde jazia solitário.

Gotinhas deslizavam pela face
- quais pérolas de um colar -
E sob nuance turquesa, estrelas
Caiavam noites de solidão...

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Quarta-feira, Junho 15, 2011

La lunga strada della vita
(Sonia Cancine)

.
Uma lágrima
inefável e indolor
na pele cor de oliva
de olhos cintilantes.

Noite alva
de espírito impenetrável
num olhar indelével
forte e claro.

Um olhar
escrutina adágio secreto
de trama triste-vida
lume de luz e carne.

Um olhar
(intermitente)
tece um grito de alerta:

- a morte
nos cerca por toda parte -

Raios de Sol
invocam olhos débeis
(noite e dia)
à doçura dessa lira
na imensidade pura.

Dos olhos meus
o alento
que em vão se afina e

No azul infindo eclodem forças estranhas...


La lunga strada della vita
tradução: by Dani Maiolo
(Sonia Cancino)

.

Una lacrima
ineffabile e indolore
in pelle olivastra
gli occhi scintillanti.

Notte Bianca
spirito di impenetrabile
uno sguardo indelebile
forte e chiaro.

Uno sguardo
scruta adagio segreto
triste storia di vita
calore e luce a base di carne.

Uno sguardo
(intermittente)
tesse un grido di allarme:

- Morte
ovunque intorno a noi -

Raggio di sole
invocare occhi deboli
(giorno e notte)
la dolcezza di quella lira
l'immensità puro.

I miei occhi
il respiro
invano che si assottiglia e

Nelle forze infinito portellone blu strano ...

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Quarta-feira, Junho 08, 2011

Candelabro...
(Sonia Cancine)
.

Ouço...

Em dias que escorrem pugna
“una música brutal”
ante (dor insuportável) de ansiar morrer
nas caixinhas delicadas uma duvida:
Homessa...

Ouço músicas e aproveito dádivas do Sol
na vivenda ilhéu, meu “beat” estrangeiro
de devaneios aspirantes camembert.

Outrora, aqui estrangeira
já vi o que inda não vivi
e senti o que jamais verei
de biografia por vezes euforia
difícil é viver e mais ainda saber.

Que nem candelabro de ouro puro
careço de luz e pétalas de flores
de hastes e de botões
na sombra a descansar...

Numa haste quero um botão e uma flor
obra batida que se fará lâmpadas

Conforme o que me foi apontado no Monte.

Assim, quando me olho sem velas aquecendo este ínfimo...

Sinto medo das verdades, das intuições e do escuro.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Domingo, Junho 05, 2011

Jeito de Mato
(Sonia Cancine)
.

Envolto em delicados véus tons lilases, um silêncio descortinou-se ao meu olhar, e pensamentos meus deslizaram no infindo céu que se abria junto ao clamor dos abandonados e desesperados... Voei descalça, sem norte, desenhando em minha mente lembranças que me fizeram sorrir e outras, que me fizeram chorar.

Ao entardecer recortado no céu entre azuis índigos, alaranjados, lilases e vermelhos, o tempo se fez arco-íris ao ouvir os sussurros espargidos pelo vento. E guiada tão somente pelas batidas do coração, toquei o crepúsculo. Então, me deitei na campina onde o Sol se põe e no regalo da terra (com cheiro do mato) numa sensação melancólica me vieram fortemente à pele:

Gotas perfumadas de rocio que marcam história...



A
beira do caminho
e observando pingos no céu
penso: quão doce o resgate seria
de um ser solitário como eu.

Ide,
raio de luz do luar
cantai cânticos de amor
aquecei o coração

(pedrecido pelo tempo).

Quais flores
que desfiam o tempo escuro

Ide,
a suaves notas impudicas
Esparzir versos sobre os pedregais.

Ide, cantai e dançai a luz do amanhecer...

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Domingo, Maio 22, 2011

Veleidades do Tempo
(Sonia Cancine)


À

luz nigérrima rasga-me as veias rubras
e num duelo de loucura deixa-me límpida
ou, torna-me noite para sempre escura
ante as nuances do arco-íris.

Ao abrir

o manto na dourada Aurora
como (quem pouco mente) poeta fingidor
é a nudez sedenta de vontades arfantes:
o inflexível gozo de ímpetos passageiros.

Sou libélula

grácil, aleivosia subjugada
cingindo labuta vã toda manhã:
na maestria, da arte fenecida.

Teimo campear

em terras distantes:
nos rios, bosques, florestas e campos.
na flora dos jardins e da campina
abrindo as asas Ástreas d’ouro e

Na leveza do vento

voo nas profundezas dos oceanos
e do mundo subterrâneo.

Nas fugas incertas

na bruma do lusco-fusco
o tempo urge suas veleidades errantes
nessa estirpe finita dos deuses.

Nas quinas

dos meus dissabores
(quimera imperfeita da carne)

Sob

a raivosidade do moinho do vento...

E em absoluto silêncio

aparece o caos
nas primeiras sombras que se desprendem
(sem princípio, nem fim)

Vai,

ó alma cigana, pela Iris natimuda, cantar meus poemas.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Domingo, Maio 15, 2011

Decálogo da Urbe
(Sonia Cancine)

.

Resvalam nas vidraças da cidade
e nas colinas das cercanias, os raios de Sol.
Acetinam nuances nos dorsos nus e
na selva de pedra de concreto e cinzas
pousa o beija-flor, das finas flores dos jardins.

Na quimera brenha da candente puberdade
um dia adormeceste errante, Alma minha

abria-se em pétalas célicas imaginárias e

em delicada obscuridade
(no burburinho dos sonhos)
a paixão e a dor, indômitas, corriam.

Assim a vida urbana embelecida
bebeu-me, a mocidade e a fé.

Ali aqui lá e acolá a sombra da luz cruel
os ipês, a dourada cascata de campos trigais
e a nata do vale, adormeciam ao vento:
dançavam aos sons do movimento urbano
e da sinfonia do canto do bem-te-vi.

E eu nativa? Fugia do vento incerto...

Ansiava a erva-almiscareira
o perfume o simples e o belo

os arvoredos dos bosques que ao abrir os ramos
tecem fios no afã do dia a dia nebuloso.

E assim vencendo a insônia - enleio como Homero.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Sexta-feira, Maio 13, 2011

O Silenciar dos Anjos
(Sonia Regina Cancine)
.

Na calada fria da noite escura
Ao ouvir o sussurrar dos Anjos
Emudecem-me os sentidos

Um olhar de olhos infindos me vigia...

Inquieta, reverencio o tempo
Onde o aqui agora nem perto nem distante
Canta junto ao meu coração e
Entrego-me na finitude de tudo o que sou.

Em meio a nuances e tormentos
Teço traçados desalinhados em cunho e
Perco-me neste labirinto de metáforas.

Um Anjo tetro num recôndito invisível
Pelas vias/mente, algoz - a morte me anuncia.
Peregrino pela campina verde e me deito no sereno.

Sonho (de novo) ao ouvir o gorjeio das gaivotas

O murmurinho das águas do mar e do vento.

O perfume que exala das flores
Cintila na aparição do céu inexorável
E me liberta do cárcere em que vivo.

Será loucura de meus pensamentos?

Luto para fugir do mal que me assola
Montada no meu cavalo indomável
Na noite sombria à luz da Lua nua.

Meu destino, minha senda
Que transita entre o céu e o inferno
Como vidro se despedaça no chão.

Alço finalmente de asas abertas, à Luz ao final do túnel.
Vencendo o vento angario do pó alma minha e

Do efêmero isolamento - vôo como fênix em direção ao Sol.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Domingo, Abril 03, 2011

A voz do vento...
(Sonia Regina Cancine)


Uma voz firme nos ouvidos
Seduzia em palavras ardentes
Onde a voz do vento anunciava
Que a noite tinha chegado.

Estava muito frio e eu?
Não queria desafiar o vento.

Eu só peço a Ti, meu Deus.
Que não me deixe assim
Esquecida tão facilmente.

Então, olhei ao longo da margem do rio.
Lá estava ele tão só, e somente
A lua se banhando como deusa prateada.

Tu se deitarás, na hora do crepúsculo
Em pensamentos ardentes numa relva macia.

Uma paixão interna que me foi destinada

Uma lembrança

Que trago do portal empírico.

E recebo neste rosto pálido de sorriso largo
Uma estrela do céu nublado

Imagem induzida a cheiros, nuance de prazer e dor.

No duro chão de pedra

Depois de meus pés cansados não haverá lugar

Que não revele meu semblante
- o perecer do que sou -

Perderia eu a inocência de gente?

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Segunda-feira, Fevereiro 28, 2011

Desertos
(Sonia Regina Cancine)


Nos desertos abismos. Mergulho.

Nas rochas fortes
(onde me faço efígie)

E nas vertentes eu recrio

Coragem.

Na cálida sombria paisagem
Fortaleço a águia minha ao vôo.

Silencio, refaço e me entrego
Ao uivo do lobo interno.

Na glória de incauto prazer
Sinfonia há na travessia portal
Que sob águas revoltas encobrem
Os vultos a minha volta e

Nas luzes translúcidas

Canto
Danço
Suavemente...

De alma em gris, elaboro vozes
E no silencio desse instante

Dimensiono tudo e nada

Num suspiro ligeiro em campos florais

Ouso pulsar nesse novo tempo
Onde poetas e poesias perderam valor.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Sábado, Fevereiro 05, 2011

De volta pra casa...
(Sonia Regina Cancine)


Enigmas ocorrem... Repentinamente!

Olhares dúbios e motivos aparentes
Fazem da gente - exultante ou desencantada
Amada ou desalmada de alma cansada.

A minha? Após o olhar terno do Mar

Respira o ar que me dá vida, de poesia
Som de ondas deslizando espumas
Esbravejam a natureza descontente.

Não consigo na calma aparente
Deixar de sentir na pele
As delicias da paz desejada e

Aquela concha que eu segurava, eu não a vejo aqui.

Cansada, mas de alma lavada
De alinho combalido pelas ondas
Chorei onde a cortina em desalinho escondia
A alma trancada, onde o tempo pára.

Após olhar o Mar...

Danço a dança das sereias
Na arte impudica dos deuses e
Deito em cima dos penhascos
(os temores ocultos)

Na brisa fresca da maresia em dias de escuridão

Transvio para além da ebriedade azul
Pergunto - o que é isso que soa ao longe?

É o vento que embala emoções e

De volta pra casa, após olhar o Mar...

Volto

A sorrir e o espírito curumim ressurge, mais uma vez.

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Sexta-feira, Dezembro 24, 2010

Um video que emociona…



Eu só peço a Deus - Beth & Mercedes

"Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q’ eu queria...

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face,
Se já fui machucado brutalmente

Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda pobre inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se umsó traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente

Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganado
Pra viver uma cultura diferente

O mundo precisa de paz e fraternidade...."

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Sábado, Junho 05, 2010

“A resistência dada a si mesmo anuncia-se numa regulação e vinculação do próprio sujeito, e está enraizado no centro de si mesmo, na sua espontaneidade – um vínculo que segundo a sua essência, é a liberdade”
(Finitude e Liberdade - HEIDEGGER & KANT)

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A finitude do Infinito
(Sonia Regina Cancine)


Sim! Sou poeta
Misteriosa, de fortes referências
Que advém da ancestralidade
Da terra, do céu e do mar

Além - do mito arquitetado pelo homem.

E em meus sonhos de deusa
Hão de se espalhar infinitos lírios
Antes que me golpeie a morte.

No portal sombrio onde ninguém ousa enlear meu sono

Fortaleço os mitos para que ao se espargir
(Rompendo a barreira do tempo)

Possam exacerbar que a força está no equilíbrio

Ao pincelar telas em diferentes faces
Energia criadora de todas as coisas viventes
Soberanas, guerreiras e protetoras somos.

E na infinda certeza de que nada é infinito
Finita é a minha arte e infinita é a alma do que sou.
Minha beleza consumida pelas ondas de tristeza
Diz-me que sou poetisa e que sobre meu jazigo
Hão de se espalhar infinitos lírios...

E antes que a noite mate os pássaros de Rhiannon
Vêem cantem e me encantem do outro Mundo
Oferecendo-me vozes de júbilo.

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Sábado, Maio 08, 2010

Clarins do Arrebol
(Sonia Cancine)
.


Na alcova negra vago na agonia que me abraça.
Entorpecida, sem saber o que fazer e nem para onde ir..
Sem ar e sem vontade de relutar. Sinto-me efêmera.
Como se os movimentos e a linda sinfonia
parassem suavemente de tocar... Ouço-a ao longe
mas não me liberta. Sinto-me... tão cansada
e nem ver a luz do dia eu quero mais...
Só vontade de lastimar depois de tanto afã
ao impregnar a prosa, aborrecida pela triste poética
enlouquecendo o silêncio, ao chacinar os versos
nada mais me resta a ansiar...

E na fria elegia encontro-me num luto de dor
de palidez quase mórbida de uma flor a mirrar
num determinado ponto de interrogação.
Uma aflição na indiferença do silêncio profano
um horror mudo, um silêncio que amortalha o mundo
e à minha carne entrega-se em desgosto.

Mas lá bem fundo o coração anseia por um belo céu crespular
e, pelo gorjeio dos pássaros que do alto do seu canto possam eles
lavar as dores e as invejas com espumas límpidas do fundo do mar.

Pois não pode ser possível...
Que depois de tantos desalinhos percorridos
De tantas pedras colhidas não me lembrar mais dos tempos idos?
Sem mais nada a colher, nem mesmo gestos despetalados?
Acolho-me no desgosto e nas lágrimas do meu rosto.

Ruge bravamente e melancólico o mar revolto de minha alma
e turva-se alarmante o céu escuro de meu olhar...
Arde em chamas a minha mente, a sangrar em redor de ti
Ó minha mãe, sei que é preciso que sob os acordes clarins


Eu e você descansemos em paz ao Sol!

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Sexta-feira, Abril 02, 2010

Mãe, tu és minha Ave Maria...
(Sonia Cancine)
.


Mãe, tu és minha Ave Maria...
Ave Maria Deus é por Vós, mãe querida.

Pensei que fosses eterna e aqui sempre estaria.

Um dia eu nasci de ti e te conheci
Bondosa, terna, suave e amiga
Sábia em tuas palavras
Ponderada nos cuidados
Cautelosa em teus pensamentos
Incansável, em tuas ações diárias.

Ensinou-me
Tudo o que preciso para viver
Ensinou-me a amar
Sem nada a receber, em troca.

Demonstrou-me
A humildade de ser
A beleza no semblante
A serenidade n’alma
Gentileza e acima de tudo
Paciência - para se alcançar o que se deseja.

Mãe é doloroso demais vê-la partir aos poucos
É doloroso saber que não a terei mais ao meu lado
É doloroso saber que daqui por diante
É preciso caminhar só, pelos meus próprios pés.

Mas, mesmo sendo tão difícil
É necessário eu vê-la sorrir ao partir.
Para eu me lembrar das lições que aprendi:
No final, a vida é assim...




Tudo tão perfeito...
(Sonia Cancine)
.

Eu queria ter mil anos
E me lembrar da infância feliz
Eu queria ser criança
Para me encantar (de novo) com a vida
Recomeçar do zero, sem de nada saber.

De repente, a impotência diante da morte
Numa sensação muda e muito estranha
Pode durar um dia ou a eternidade e

Tudo que vem das entranhas perde o sentido.

Quero te seguir, mais do que tudo
Estar solitário - é sem graça e pretensioso.

À noite parei na calçada e aspirei o luar
Lembrei da caminhada de mãos dadas
Tudo tudo tão perfeito...

Queria ter gotas nuances
Capazes de mudar as cores do destino.
Mas daqui por diante
O apego aos pequenos detalhes
Já não mais não mais existe.

Olhos tristes fitam o vazio a espera do porvir

O que será que em ausência habita?




.: Mãos Ressequidas...
Sonia Cancine

Olhando para trás, deixo-me encantar
Com lindas lembranças, do mais belo amanhecer.

Extasiada nestas lembranças
Sinto o cheiro de café
...o cheiro de brisa.
...o cheiro de pinhedo.
...o canto de pássaros.

O toque suave de um beijo
O bom dia, com alegria.

Olho-me, então, no espelho e vejo:
- tudo diferente -
Vejo seu rosto e traços envelhecidos
O olhar, com um toque de tristeza.
Alma abatida e cansada

Mãos ressequidas...

Assim a percebo, minha mãe
Outrora, feliz e repleta de vida.
Hoje, sobrevive...
Em meio a belas lembranças
E outras, já não mais.

Sua memória perdendo-se lentamente
Como luzes que se apagam...
Aqui e acolá!

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Terça-feira, Outubro 20, 2009

O Silêncio que Cala
(Sonia Cancine)
.


Do novelo de fatos estranhos
O maceramento dos olhares
Do exílio, intacta indignação.

É limítrofe
(a insanidade e a lucidez)
Nos ventos álgidos
Que encobrem meus passos
Entre ruas laceradas da Terra.

Queria um Silêncio absurdo...

De gritos lascados
De lágrimas gritantes
De cada gota de sangue
De cada lágrima derramada
Da arena da vida

Mas um silêncio profano e de pupilas ardentes
Pôs-se a caminho, tendo às costas a ninhada.




Um sopro negro....
(Sonia Cancine)
.

Nas imensas asas entreabertas
Empalideço. Desperto para a morte.

Faces confusas
Sobrevoam minha mente
(em nuança ofuscante)

E me auferem a visão.

Retorno de uma viagem
Nas efígies que vivi.

Muitas delas – eu já me esqueci...

De quanto feliz eu já fui
Desde que nasci.
Em outras... Um arrepio
Ao lembrar a dor que senti.

De um anjo negro. Um sopro
(entre cortante). Hálito gélido
Que congela as veias

Penetra línguas nas entranhas
Que rasgadas, sangram...

Desfaleço na floresta sombria e
Anoiteço num futuro pálido
Na força do caos e de guardiões
Que nos têem quando se abrem portais

Um elo, entre safra de ervas daninha.

Podadas, deslizam e crescem
No vazio do esquecimento
E dormem um sono imaculado
Nos braços do abandono.

De tais desatinos além do laço

Vela, ó Sol e nos mantém de olhos abertos

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Domingo, Outubro 04, 2009

Fotografia de Mim
(Sonia Cancine)
.


Os meus dias são dias de flores e pedras
De jugo (acirrado) no jogo das forças

De todos os dias
Nas marcas do tempo
Nos naufrágios
Onde o mar se torna salubre.

Através das pedras, o mundo me devora
Como se eu, de parte alguma, fosse parte.

Meus olhos têm o silêncio encravado
Frágil, nas passagens que me contém
Mas, posso te dizer que meu semblante
Traz de forma serena a dor calma

Obscuridade no pecado do ontem
Caos aparente, quase superado...

E abrange a tua presença além de mim.

Não dissipo a alma no esquecimento
E da lembrança das areias da praia:
- o aceno da manhã –

Sacralizada pelos pássaros à tarde
No laranja-avermelhado do céu
No grito do meu grito e das gaivotas


Descortinam-me a alma adormecida.

E levantei-me das chuvosas lembranças

Sem norte sob a neblina de meus dias
Onde o vento soprava frio
No bosque inalcançável e
Quase jaziam os meus pés...

Pálida chuva sobre o pôr-do-sol
Que se escondia
Nos meus jardins que floresciam

E deslizava luz pelos lírios da espera
Nas lágrimas que queimavam
As faces da menina

Que um dia passeou por aqui coberta de dor e sangue...

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Sábado, Setembro 19, 2009

Espelho negro dos dilemas
(Sonia Cancine)


Tua voz faz eco em meu silêncio...
E nalgum lugar, fala-me sutilmente

Vai, oh homem moribundo
Que me encantou com palavras
Para se fazer eterno, através da voz.

Sem exigir nada mais além
Deu-me flores, cores e emoções
Abriu pétala por pétala tua alma

Desfiando num suspiro o novelo do tempo

Teus olhos tão belos, tão azuis
Falam-me de amor com suavidade
Mas nada que possa fazer me compele
A aceitar a cor de tua imensa fragilidade

Sou águia sou solitária
Porém sou emissária guerrilheira
O espelho negro dos dilemas e

A tudo eu renego por um vôo até a ti apenas:

Voar, voar, para os céus tão azuis
Junto aos olhos tão puros, de puro luzir
Que a mim me fenecem no ar que te falece

E me matam de saudades num pranto sem cor.

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Terça-feira, Setembro 08, 2009

Descortina-me a alma adormecida
(Sonia Cancine)


Os ventos rasgam forte o meu medo

A chuva irrompe o silêncio
Os trovões soam angustiantes
No espetáculo que se impõe...

Gotas incendeiam meu adágio
Que estremece nas entranhas
Cortantes de expectativas
E congelam na memória

Vivi as teias traçadas pelo destino
Mas não vivi os desejos reprimidos...
Marcados pelas pedras e tempestades

Vidas desafiam e desfiam o tempo...

Nuvens afagam lágrimas que caem
E enlaçam as dores cristalinas
Da lua escura que se distrai em cólera
Em júbilo junto à noite que desencanta

E sob a indiferença dos céus indigentes
Descortina-me na inerte alma adormecida.

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Domingo, Agosto 23, 2009

Cálice de Adversidade
(Sonia Cancine)


A margem da estrutura social
Eu tento digerir
O que se impõe nas caldeiras ferventes
Das relações existentes.

Cozidos os destemperos
Sobram as porções carnudas
Para o prazer da gula animal.

Desmancham-se nos caldeirões
Aos borbotões olhos tristes
No regalo de perdas infindas
Onde deveriam nascer canções.

Embriagada pelo sentimento de saudade
O amor jazido entoa palavras jogadas ao vento...
Buscando a brisa suave
Na esperança de que esta enleve
E abrande as cinzas do lado sombrio d’alma
Corrompida pela dor.

Sou livre sou pássaro
Que no alto de vôos imaginários
Deste inverno triste, aguardo os raios de Sol
Pousar e aquecer os quintais humanos
Para que me tragam de volta o brilho do olhar.

Olhar que se perde ao longe
E reflete a expressão de anseios

Inebriando-me no mais absoluto Silêncio d’Alma.

Assim num ritmo cigano
Ao som de pandeiros e violinos
Representando o júbilo do Sol
Embainhada de lenços eu danço
Um lamento arcano

E aos poucos revelo tão somente
A beleza e o poder da dança
Como forma de oração
E me basto neste instante.

Tal como filha do amor
Neste cálice de adversidade
Ao que o mundo se destina

Ao dançar manifesto desejo, sentimentos e sonhos
Movidos pelo deslizar dos lenços tristes pelo ar
Num transe livre e musical como o vento

Numa tentativa de envolver e fortalecer teu coração.

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Domingo, Agosto 09, 2009

Ode ao teu Olhar
(Sonia Cancine)


Em silêncio ouço fortes gemidos
Que rompem a sombra da noite,
Repleta de estilhaços de dor.

Dos instantes em que te vejo
Guardo-te no olhar e contemplo.

Das serpentes dos teus olhos claros
A íris bucólica do teu olhar,
Agoniza-me e me seduz...

Olhos que prometem me cegam
Como se fossem reflexos de espelho.
Colhem lírios e embriagam-se de absinto
Afastando-me do ninho das ninfas.

De súbito, enxergam ao longe uma flor
Jamais vista, a mais bela, e
Tua luz é brilhante (mente) intensa.

Do alto dos montes, delirantes súplicas
De espírito intranqüilo, de grata prece
Abro, então, uma cova no teu olhar...

Rogo-te o calor,
A incendiar-me as entranhas e
Sob a carne impenetrável,
No pulsar do amor

Olhos que aos poucos fenecem
Causam-me - medo...

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Sábado, Março 07, 2009

Mulher Guerrida
(Sonia Cancine)


Ah! Mulher aguerrida...

Alma casta e não se sabe o fenecimento que te inflige à vida
Nasceu das cinzas firmes que te conduzem pelas mãos
Formou-se guerreira e no coração se faz em obra dura

Não foi formada em fantoche, mas, moldada aos ossos
A perfeição divina, bela e sábia, predestinada a que veio
Dela, depende a edificação da lida da vida
Instrumento, para intervir neste mundo cão.

Frágil, diante da imperfeição da pedra bruta
Faz-se forte frente aos inimigos vorazes
Guerreira caminha só, desde jovem a imortalidade
Traz nas entranhas tuas absurdas valentias e,
Não teme a obscuridade e nem os laços armados

Cinja-se com o fogo e faça acontecer o teu caminho
É o acaso aceso que aclara vidas e espreita sonhos
Nas nuances resplandecentes do teu arco-íris

O que é certo é que é encanecida com tuas imputações
Mas, acima de todas às tuas lutas, a tua personalidade
As superações e as gotas de lágrimas sentidas

No teu espaço e em tuas desventuras...
O prazer e a plenitude do teu cheiro em um só dia
Flor frágil e forte neste jardim amanheceu

E o que a torna tão (in) segura?

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Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Punhal Multiface
(Sonia Cancine)

Da luta. A vontade de vencer.
Na Intensidade do silêncio...
Serpenteia anseio, de honra vitória e medo.

Nas matas abertas das cadeias emocionais.
Desperta-me.
Símbolo feraz de fertilidade na terra.
Energia transmuta (dor)
a que me conecta a planos espirituais
Sob, sua presença forte e ousada.

A noite cai no silêncio inquietante
de um só instante...

Ele arma acampamento acendendo a fogueira.
Agressivo, alimenta golpes de punhal e se aquece.
Do ardor negro que purifica energia introspectiva
Retorno a terra, e sigo pela estrada num duelo.

Com expressão de mistério e força estampada na face
Quanta vez, não ergue os olhos para advertir o céu?

Abriga-me sob a luz da lua e das estrelas
Mas, igualmente fascinante e eficaz...

Conduz-me a lâmina penetrante e cortante no peito.

Nos dentes desafia com destreza, o punhal no ventre
Destrói o que me encanta no fio da navalha
Tira-me os sonhos e me leva ao chão.
E, jaz seca minh'alma anestesiada pela dor
Bate o punhal na bainha e me chama para a dança...
Enigmática, fria e irreal.
.
.
.
Será, a dor que sangra no peito uma demonstração de amor?

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Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

Reféns de Vidro
(Sonia Cancine)



Inesperadamente. O intocável acontece...
Gera-me fonte de frescor. Desde que te conheci.

Resgata-me do sombrio...
Exige-me o uso de lamparinas de azeite
e conduz-me por entre aléias guarnecidas de flores
Sombreadas por caramanchões.

Em jardins ladeados por árvores frutíferas
tamareiras, figueiras e palmeiras...
Ornamenta-me com ramos das videiras

O seu atento e sutil olhar...
No espelho d'água veste-me, com roupas diáfanas
Para que eu possa adentrar neste jardim-santuário
de linhas onduladas.

Não permita que meu olhar se desvie...
E deixe de perceber pássaros e flores de lótus
Lentamente, me conduz pelas mãos ao amor
que como papiros, cresce ao longo da margem.

Em silêncio pequenas fagulhas surgem...
e o fascínio que era um sonho distante

Como um canto nos atrai, e nos leva a mergulhar...
Nas profundidades do ser, e dali extraímos
a fonte de nosso alento

Em cacos dispostos...
Você e eu caminhamos por um chão de barro escuro
Apenas libertando nossos reféns de seus vidros
de exposição. Mas, na ressonância de seus ecos...
Perco-me em você.
.
.
.
Ah! Esse sentimento de respeito, medo e encantamento?

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Espreguice...
(Sonia Cancine)

Na lucidez de minha loucura...
Cabe-me a observação, ao passar
pela janela de seu olhar, isenta da roda-viva
e da engrenagem que move os homens.

O que me leva a pensar e a crer
que pode ser meu homem, e posso lhe pedir:

Abra sua janela e deixe-me entrar...

Vim te recepcionar
Inspira-me
me aceita
e abraça-me

Trago-lhe uma gota de Mim...
Escuta meus sons
e dancemos junto aos ventos

Ouça! Entoam batidas oriundas
[suaves e profundas]
das vísceras de meu Ser

Venha! e se entrelace:
em meu corpo
alma
e espírito
.
.
Em manhas de amor

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Lágrima que Sangra...
(Sonia Cancine)


Ao som de egos fulgentes, na tumba da idolatria, sangram em hálito candente às sombras da negação. Enleada em comiseração, só, se apercebe do vazio a sua volta e sofre em prantos... Libera dos tristes olhos e cansados, uma lágrima que sangra. Sangra ferina e quebrantada, e (cão) fusa é sua oração no tempo de fúcsia, que sangra em toadas e tons. São a vozes que cala a alma, a dor que se desdobram, as pétalas de amor rasgadas em cicatrizes, pela navalha da razão...

Impressa pela emoção e cristalizada, brilha ao sol distante no abismo da culpabilidade...

Pela fome do prato da insatisfação, a alma se mantém atormentada de luto vitalício em lágrima - lamina. Com intensidade cadenciada sangra-te as veias, e transforma-lhe a face sem cor. Pura como a morte dilacera a essência e, ao tocar sua plácida face à agonia do choro, o amor junta fragmentos perdidos... Tatuados como maldição da essência, para que sua lágrima produza alvitres cristalinos como anjos, e ácidos como larozes.

Na escuridão ouvem-se gritos ensurdecedores... Arrebatam suas raízes da terra da dor e, como flores colhidas do jardim...
.
.
.
Suas lágrimas cristalinas guiam-me na obscuridade.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

Um Sopro no Jardim
(Sonia Cancine)


Em obscuridade e estado de sonolência
Entrei e permaneci, no tubo da transição
Num ato de colisão senti que daqui...
Desprendi-me e perdi a lucidez

O ocaso me impulsiona a te conhecer...

Sua face me revela um toque de puro requinte
e em lúgubres estilhaços, desvenda-me
De repente, olho-te! com lacuna impenetrável
Olha-me com fúcsia sinistra
(de quem vê a biografia se degenerar)

Sombras escamoteiam o medo
no cruzamento dos portais...
E dentro de mim impera:
- a solitude calada –


Na distrofia do isolamento...
Conspiram versos desencantados

E da obscuridade alojada...
Conduz-me pela mão a vida, que por ora.
Já não pulsa mais, e torna as mãos vazias

Cobre-me de flores e folhas
Neste jardim visionário...

Leva-me inebriada a existência
e ao sopro de seu toque impetuoso
Liberta-me a alma deste jardim sombrio

Na fonte antes, sagrada e inviolável.
Faz-me caminhar por entre as flores
Como a pomba, com o ramo de Oliveira
.
.
.
A vida floresce e de novo, regresso a terra.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

Carne Nua e Crua
(Sonia Cancine)

O branco vazio de seu sarcasmo
Na retina de meu asco
Conota a lascívia de seu ego
Diante da via imperatriz

Desfila e destila seu veneno
E abiscoita mente crua de carne nua
Que abocanha a podridão

De mente vazia, carne nua e crua
Agride a veia sangrenta.
E mutila na idolatria, a paixão
Tornando indigesta a visão

Por vias absurdas
A prepotência é risível

Os olhos atentos
Na morbidez de seus atos
A tudo observam aleivosia
Aos cuidados do verdugo
Diante de riste predador

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Segunda-feira, Novembro 24, 2008

Portais da Visão
(Sonia Cancine)


Nos jardins negros do isolamento...
Entrego-lhe as chaves dos portais
- das lascas em pétalas
As sombras de meu coração -

A distância entre a minha e a sua
Torna-se muito pequena

Sua sombra me atrai, me transigindo.
Para que em gesto prematuro...
Venha!
A dar preenchimento e cor
no sítio que nos separa
Antes, iluminado

Acentua-me um tom cinza claro
para inclinar-me à penumbra
a razão de tal inusitada confissão

Somos a luz emitida pelos extremos
A incidência do que se encontra abaixo do céu

Nas marcas aguçadas
de meus sentidos adormecidos
Busco o seu olhar...
Tão gélido e indiferente

Fenômenos estranhos ocorrem
e me trancam nos desertos obscuros
Onde animais se arrastam
e meus olhos não suportam olhar

Ah! se eu pudesse rasgar seu coração
E nele poder habitar...

As culpas que comigo carrego ao vento...
Vislumbram o que você não quer ver
Olhos atentos nas sombras da noite

Enunciam:
- Se entregue para mim...
Abra-se e se aqueça
Através das chaves dos portais -
.
.
De meu eterno delírio.
As curvas de iluminação...

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Sábado, Novembro 15, 2008

A Existência!
(Sonia Cancine)



Submersa nas profundas e sombrias águas
Deságuam. No silêncio da inquietude
E de minha alma a esquadrinhar...
Significados da existência

Busco na fleuma seguir sinais indicativos
dos caminhos por onde devo ir...

E no ensaio flutuante e nebuloso
Tento discernir o brilho do ocaso
que oscila na ponte da sagacidade

e me pergunto:
- se é divino ou é o arcanjo pássaro
que em sua aura a brilhar
deitou em mim o seu trilhar -

Será que sou ainda pássaro triste, ou
A (penas)
Danço de acordo com as emoções.
Deste mundo estranho e conturbado?

Ah! Se eu pudesse voar...
Planaria no cenário da vida e diria:
.
.
Olha-me! é loucura ou verdade
E será que seu rosto me revelaria
Ou, seria de cera a ilustrar?.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Sábado, Novembro 08, 2008

Sozinha na Calçada!
(Sonia Cancine)

Hoje tão somente solicitei a luz....
Que deixou de brilhar em meu íntimo confuso
É imperioso manter-me aprazível na consonância
Para que eu tão somente, resplandeça.

A paixão, o ímpeto e a dor misturados à desilusão.
Da veracidade que nascera docemente no coração
Revela-se de certa forma dissonante
Nessa “paranóia critica“ a todo instante....

E tão só neste mundo me deixastes...
Se, busco e o vazio encontro?

A tarde caía...
Nela, debruçava-se a sombra do anoitecer.
Sozinha, sem saber pra onde ir.
Pensava em você e nos desencontros.
Na calçada triste e fria, a encontrar.

No ocaso uma tormenta me conforta
Os beija-flores dispersam-se extenuados

As nuvens sombrias aterrorizam o céu rasgado
E no vácuo infecundo de fenômenos mentais
Em sonhos penso se um dia haverá a distinção
entre o mundo cognoscível e o incognoscível?

E no coexistente princípio de contradição....
Vejo-me na calçada sem vida e vazia
A noite tão densa e sem luar
Torna-me fria em minha morte. E em lascas
Rasgadas. O verbo se faz no coração.

O perfume da flor desaparece e ávida
Serpente (ante) a torrente salubre jorra
Chorava e esperava-te...
.
.
Sozinha na calçada, que amargura!

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Porão d'Alma!
(Sonia Cancine)

Derramo. Uma lágrima antes de tudo. As folhas
Numa pulsação de galhos e de fuligens
Queimava ao sol na arena dos portais
E ao luar no ninho macio da natureza

Olhaste-me com ternura, às sombras da paixão.

À beira-sonho tão intensamente te sinto...
E nesse poço sem fundo, não quero vê-lo mais.

Em joelhos, nua aos seus olhos negros.
A primeira vez em que nos abraçamos...
Lábio carne em vermelho se fez
Na lacuna de nossas vidas
O vazio não mais poderá ser

A ansiedade destrói o que de belo há de vir
Liberte as lágrimas e inicia a sua redenção
É contra isso que luto a pugna
Das forças acirradas que devoram sua alma
Mas, creia ela exuberante é, de luz.

Minha mente ansiava que eu sentisse...
Que tudo é ilusão, até mesmo as suposições de amor.
Apenas meras impressões. O dedo segue o comando
do cérebro, mas não os do âmago e da paixão

A força dos ventos nos arremessa...
Árvores são derrubadas e me sinto ausente
Sua essência é quase como a minha
Mas, por veredas estranhas te conduzem.

O que acontece neste momento?
.
.
.
É que eu levei uma vida inteira esperando entender...
O que hoje representa pra mim.

IndiaOnhara | | [ Envie essa mensagem ]



Quarta-feira, Outubro 29, 2008

Pétalas em Festa
(Sonia Cancine)

Cinzas do passado expurgam dores contidas
De cacos brilhantes em adornos a renovar.

E se, um dia me vi perdida...
Não mais sinto assim no âmago
de minha expiação

Reluz na luz da esperança e alinham meu espírito
O renascer peculiar e bucólico frente à indignação

Em estações mutantes se refaz pétalas cristalinas...
Solidificam-se lágrimas em cristais de puro requinte
Jaz n’alma movimentos de delicada dança
de belo encanto

E se leve fosse o coração tal qual o vento
quão perfeito expressaria
e em majestosas pétalas se daria

Ao som do pulsar da alma abatida
o desejo aprisionado se debate
No poente um temporal se aproxima
e pássaros voam tristemente

A espera de o alto os anjos despejarem
chuva de pétalas contagiantes
Na alegoria sediciosa de em festa viver
- copiosamente -

Não mais consigo expressar
palavras delicadas e tocantes
Nesse desenrolar da vida
o novelo tece enredos delirantes

Chove chove chuva
chove chove sem parar
Traz o seu carinho
e vem vem comigo
Vem comigo festejar
.
.
as lágrimas em finas pétalas.
Nesse dia a esquadrinhar?

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Sonia Regina Cancine

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